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Fundação Bahia e Embrapa apresentam as novas cultivares transgênicas de algodão
 
Segunda, 05 de Junho de 2017  
 

A Fundação Bahia e Embrapa lançaram as novas cultivares BRS 430 B2RF, BRS 432 B2RF e BRS 433 FL B2RF, em um evento que reuniu de produtores, gerentes de fazendas, técnico, pesquisadores e parceiros das entidades, no dia 31, na Bahia Farm Show, que acontece em Luís Eduardo Magalhães-Bahia. Com garantia de alta produtividade, estabilidade de produção, fibra de qualidade superior, além de resistência às principais lagartas que atacam o algodoeiro e ao herbicida glifosato, as novas cultivares estarão disponíveis aos cotonicultores na safra de algodão 2017/2018.

Para o presidente da Fundação Bahia, Ademar Marçal, as três novas variedades são "pérolas" que estão sendo disponibilizadas aos produtores da região Oeste da Bahia, demais estados do Matopiba e Centro-Oeste. "Não adianta nós termos solos férteis, temperatura ideal, luminosidade, se não tivermos variedades que venham atender as necessidades da região. E eu tenho certeza esses materiais são altamente competitivos”, ressaltou o presidente.

Representando o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, o chefe-geral da Embrapa Produtos e Mercado, Frederico Ozanan Durães, destacou as contribuições que a pesquisa tem dado para o Agro brasileiro. "Nesse lançamento de três novas cultivares de algodão nós fechamos um ciclo de 12 a 14 anos de muito trabalho e entramos em uma nova fase de posicionamento estratégico desses materiais para que possam contribuir para alavancar o Agro brasileiro e o Agro baiano", disse.

Durante o evento, o secretário de Agricultura do Estado da Bahia, Vitor Bonfim, ressaltou a importância de fortalecer cada vez mais a pesquisa na região através da criação de um fundo de investimentos específico para este fim. "É fundamental o investimento em pesquisa, inovação e infraestrutura para avançar cada vez mais em produção, produtividade, área plantada e ao final o produtor possa auferir o almejado lucro e movimentar a economia do Estado da Bahia".  

O presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Celestino Zanella, e o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Júlio Busato, parabenizaram as entidades pelo lançamento e ressaltaram a importância dessas novas cultivares para a região. “Eu olho para essas novas cultivares e vejo como esperança. Esperança de que ao levarmos essas variedades para o campo, elas nos tragam o algo mais, ou seja: o aumento de lucratividade para nós produtores que é o que estamos precisando”, disse Busato.

As novas cultivares de algodão têm a tecnologia Bollgard II Roundup Ready Flex (B2RF, da Monsanto), que conferem a resistência ao glifosato e a lagartas. “A três cultivares possuem transgenia para resistência a lagartas, com dois genes Bt (Bacillus thuringiensis), o que reduz a necessidade de uso de inseticidas para o controle de lagartas; além disso, possuem resistência ao herbicida glifosato, permitindo a pulverização com glifosato para controle de plantas daninhas, sem a necessidade de utilização de herbicidas não seletivos em jato dirigido”, afirma o pesquisador Camilo Morello, líder do programa de melhoramento genético do algodoeiro na Embrapa.

As cultivares BRS 432 B2RF e BRS 430 B2RF destacam-se pelo elevado potencial produtivo. A produtividade média é superior a 4.500 quilos (300 arrobas) de algodão em caroço por hectare e a produtividade máxima pode ultrapassar seis mil quilos (400 arrobas) de algodão em caroço por hectare.

Ambas são indicadas para os cerrados da Bahia e demais estados do Matopiba, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, sendo a BRS 432 B2RF própria para a abertura do plantio em primeira safra e a BRS 430 B2RF para o meio e fechamento do plantio em primeira safra ou para segunda safra no cerrado do Centro-Oeste (safrinha). O rendimento de fibra médio da BRS 432 B2RF é de 42% e o da BRS 430 B2RF é de 40%.

Primeira cultivar transgênica de fibra longa

A BRS 433 FL B2RF é a primeira cultivar de algodão transgênico de fibra longa do Brasil. O novo material possui comprimento de fibra superior a 32,5 mm, e elevada resistência (acima de 34 gf/tex), características consideradas ideais pela indústria têxtil para a fabricação de tecidos finos destinados à fabricação de roupas. O comprimento médio das fibras atualmente disponíveis no mercado é em torno de 30 milímetros. Hoje o Brasil importa fibras longas para misturar com fibras médias e produzir um fio de melhor qualidade. A nova cultivar pode ajudar a suprir a demanda interna por fibra longa.

“Atualmente o Brasil não produz algodão transgênico com esta qualidade de fibra e, por isso, a nova cultivar representa uma oportunidade para atender essa demanda. A maior parte da fibra de qualidade superior é importada de países como o Egito, Estados Unidos e Peru”, avalia o chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Algodão (PB), pesquisador João Henrique Zonta.

Edna Santos (MTb 01700/CE) - Embrapa Algodão


 
 
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