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Literatura de Cordel: História, Memória e Cultura Nordestina
 
Terça, 20 de Julho de 2010  
 

A literatura de cordel é um tipo de poesia de caráter popular. Ela tem sua origem na Península Ibérica, chegando ao Brasil por intermédio dos colonizadores. Originalmente, era produzida apenas oralmente, mas após alguns anos, passou a ser produzida de forma escrita e impressa em folhetos. Seus versos são escritos em rimas e algumas vezes com ilustrações, que são hoje chamadas de xilogravuras. Seu nome provém da forma como esses folhetos eram expostos e comercializados em Portugal, onde eles eram pendurados em cordões (denominados de cordéis em tal país). Inicialmente, instalou – se na Bahia e, em seguida, ela se disseminou pela região Nordeste, o que fez com que ela adquirisse características de tal região.

Um dos aspetos mais relevantes acerca desse tipo de literatura que gostaríamos de destacar nesse texto é o fato dela possuir uma relação intrínseca com a história, visto que os dados históricos atravessam a vida do autor. Seus versos abordam desde temáticas e problemáticas atuais até fatos históricos. Assim, podemos considerá – la como atemporal, no sentido de não se limitar a uma época específica. E, principalmente, podemos concebê – la como um relato histórico por meio da linguagem (escrita e oral). Nesse contexto, esse tipo de literatura é construída a partir da historicidade, pois não há texto literário sem um contexto histórico.

O cordel, numa perspectiva mais ampla, expressa uma noção da realidade. Isto é, ele tem como objetivo captar a realidade. Ele também reflete um dualismo entre o geral e o particular, ao mesmo tempo. Primeiramente, temos alguém que fala em nome de si mesmo (voz pessoal), mas seus discursos representam os anseios da coletividade. Em função disso, é necessário perceber esse gênero como geral e particular ao mesmo tempo. Dentro dessa perspectiva, percebemos que seus versos não se resumem ao registro da produção da cultura material (objetos), mas também abordam a produção imaterial (idéias). Costumes, crenças, hábitos, ideologias. Todas essas marcas estão refletidas nos textos do cordel.

Essa literatura retrata as vivências, a imaginação, a fé, a devoção do povo nordestino. Histórias que, muitas vezes, contadas de geração para geração, o que evidencia sua relação direta com o registro da memória e do imaginário do povo nordestino. Ou melhor, com o registro das realizações humanas. Dentro desse contexto, podemos conceber a literatura de cordel como algo não isolado. Pelo contrário, ela consiste num produto da sociedade e como tal não pode ser percebida fora do âmbito social.

Além disso, percebemos o quanto ela está atrelada à realidade e, conseqüentemente, às práticas sociais. Nesse tipo de texto, o nordeste está impregnado em seus versos, na medida em que ele trabalha com base em diversas temáticas e problemáticas de tal região. Tal situação acontece pelo fato das mudanças de valores, de opiniões e de fatos influírem diretamente na produção literária. O que faz com que consideremos a literatura de cordel como uma prática sócio-discursiva. Outro aspecto que não poderíamos deixar de destacar é o fato de essa literatura consistir num intermédio entre a cultura sertaneja e urbana, na medida em que ambas estão diretamente ligadas em tais folhetos. Nesse sentido, percebemos que a literatura de cordel retrata a relação entre os atores sociais, sua historicidade, sua identidade, sua língua, seu espaço e seu tempo.

 

Silvio Profirio da Silva – Aluno do Curso de Licenciatura em Letras da UFRPE
E-mail: silvio_profirio@yahoo.com.br

 

 


 
 
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