Jornal Tribuna Popular ::: Guanambi - BA :::
NOTÍCIAS
Concursos
Copa do Mundo 2010
Política
Reportagem Especial
Policial
Regional
Estadual
Nacional
O Mundo
Economia
Educação
Meio Ambiente
Saúde
Esporte
Local
CANAIS
Alto Astral
Turismo
Reflexão
Dicas e Truques
Editais
Artigos
Parábola
Telefones Úteis
Eventos
Horóscopo
Culinária
Poesias
Piadas
Aniversariantes
Contas Públicas
LINK'S
Micks Informática
Vilson Nunes
Farol da Cidade
Joaquim José Show
Folha do Vale
Sudoeste Bahia
Blog Tiago Marques
Pref. de Guanambi
Alô Cidade
Lobo Mau
Blog do Latinha
Caetfest
Iguanambi
Twitter Trib.Popular
Face Tribuna Popular
REDEINTERSOFT.COM
a-Bahia.com
Portal Pindai
Portal Montes Claros
 
a a a
 
Dificuldades de interpretação e produção textual dos alunos de escolas públicas em provas de vestibular
 
Quinta, 15 de Julho de 2010  
 

Na sociedade atual, a leitura e a escrita são competências lingüísticas essenciais, que surgem como diferenciais em diversos momentos. No entanto, o resultado de diversas avaliações nacionais, como é o caso do Saeb e Prova Brasil, demonstra que um número significativo de alunos tem dificuldade de interpretar e produzir textos. Essa situação, em muitos casos, se deve à metodologia de ensino de língua portuguesa, que dá ênfase à gramática em detrimento de um trabalho voltado para a leitura e produção textual. Durante várias décadas, a metodologia de ensino de língua portuguesa desenvolvidas nas escolas estava limitada à análise e classificação de termos gramaticais.

Nos últimos anos, diversos estudos lingüísticos propiciaram mudanças significativas na concepção de língua, o que ocasionou várias alterações na metodologia de ensino de língua portuguesa. De acordo com Carmi Ferraz, Professora do Departamento de Educação da UFRPE, “a partir da década de 80, deslocou-se o eixo do ensino voltado para a memorização de regras e nomenclaturas da gramática de prestígio, para um ensino cuja finalidade é o desenvolvimento da competência lingüístico-textual, isto é, o desenvolvimento da capacidade de produzir e interpretar textos em contextos sócio-históricos verdadeiramente constituídos”. Assim, a partir desses estudos pode - se trabalhar o papel de determinada categoria gramatical relacionado ao texto e ao discurso, o que vai além da estrutura gramatical (classificação de orações, análise de seus termos).

Segundo Vicentina Ramires, Professora do Departamento de Letras da UFRPE, “as provas de língua e de redação nos vestibulares mais recentes trazem questões que apresentam uma visão mais moderna dos postulados lingüísticos”. Nesse sentido, tais propostas têm sido adotadas pelos principais órgãos que elaboram provas de vestibular no estado de Pernambuco, como, por exemplo: Covest e UPE. Contudo, muitos professores persistem em continuar com a ênfase tradicional dada à gramática normativa. Essa metodologia de ensino de língua portuguesa tradicional interfere diretamente nas competências lingüísticas de interpretação, produção textual e, sobretudo, na argumentação dos alunos. Com isso, a maior parte dos estudantes de escolas públicas tem dificuldade em interpretar e produzir textos para diversos tipos de provas, tais como: concursos, Enem e vestibular.

A fim de colher informações sobre a metodologia de língua portuguesa desenvolvidas em escolas públicas, sobretudo no que se refere à interpretação, compreensão e produção de textos no Ensino Médio, entrevistamos trinta alunos do terceiro ano do Ensino Médio de escolas estaduais localizadas na região sul da cidade do Recife. Esse público constituía – se de homens e mulheres com idade dos 16 aos 43 anos. Para tanto, aplicamos um questionário, que apresentava os conteúdos do programa de Língua Portuguesa do vestibular da Covest e solicitava aos entrevistados marcarem quais dos conteúdos já foram abordados em suas respectivas escolas. Os resultados obtidos apontam: 1) idéia global do texto, apenas 06 entrevistados conheciam tal conteúdo; 2) argumento principal e argumentos secundários defendidos pelo autor – 03; 3) objetivo ou a finalidade pretendida para o texto – 05; 4) síntese do conteúdo global do texto – 06; 5) características do tipo ou do gênero do texto em questão – 11; 6) funções da linguagem (referencial, expressiva, apelativa, poética, fática e metalingüística) – 28; 7) fidelidade de paráfrases a seus segmentos de origem – 04; 8) relações do texto com outros textos (intertextualidade) – 04; 9) Informações explícitas e implícitas veiculadas – 12; 10) O nível (formal ou informal) da linguagem utilizada – 16; 11) Relações semânticas (causalidade, temporalidade, conclusão, comparação, finalidade, oposição, condição, explicação, adição, entre outras) estabelecidas entre parágrafos, períodos ou orações – 29; 12) Expressões que indicam a seqüência das diferentes partes que compõem o texto – 00; 13) Relações de sentido entre palavras ou expressões (sinonímia, antonímia, hiperonímia, hiponímia e parônima) – 07; 14) efeitos (como o da ambigüidade) do valor polissêmico ou homonímico de palavras e expressões – 04; 15) marcas a partir das quais se pode identificar a posição do autor em relação às idéias veiculadas – 00; 16) função ou informação presente em outros recursos gráficos e em elementos não verbais (parênteses, aspas, tipos de letras, de formatos do texto, imagens, gráficos, tabelas, entre outros) – 00; 17) efeitos dos sinais de pontuação na determinação da coerência do texto – 08; 18) regência (nominal e verbal) – 28; 19) concordância (nominal e verbal) - 28; 20) conceito de dissertação argumentativa – 23; 21) estrutura do texto dissertativo – 11; 22) Diferenciação entre tema e título – 03; 23) coesão e coerência textual – 02; 24) organização das idéias e a ligação de parágrafos por meio de conjunções – 04; 25) produção de duas questões discursivas, a partir de algum estímulo textual ou lingüístico – 0.

Diante dos resultados, percebemos que a maior parte dos conteúdos abordados no vestibular da Covest não é de conhecimentos da maioria dos entrevistados. Apenas alguns conteúdos que se aproximam da abordagem tradicional da gramática normativa são de conhecimento da maior parte deles, como é o caso das funções da linguagem, das relações semânticas que estão relacionadas com a análise de orações coordenadas e subordinadas, concordância e regência (nominal e verbal). Diante desse cenário, os alunos têm grande dificuldade na resolução de provas em vestibulares e concursos, pois a metodologia de língua portuguesa desenvolvidas em suas respectivas escolas não os prepara para tais momentos. Em nosso entendimento, a escola deve formar leitores e produtores de textos, tendo como base os princípios teóricos da lingüística, o que irá prepará – los para os mais diversos momentos com que irão se deparar na atual sociedade competitiva. Isto é, sob a ótica desses estudos, a gramática passa a ser abordada sob os postulados da semântica, da pragmática, da lingüística textual e da analise do discurso, o que ocasiona o ensino contextualizado de Língua Portuguesa. No entanto, a escola não trabalha com base nesses pressupostos.  Dessa forma, defendemos uma mudança no enfoque dado aos conteúdos gramaticais e, por conseguinte, a inclusão de novas metodologias no que se refere às práticas de leitura e produção textual.

 

Silvio Profirio da Silva – Aluno do Curso de Licenciatura em Letras da UFRPE
E-mail: silvio_profirio@yahoo.com.br

 


 
 
Untitled Document
 Comentários:
.1
Sexta, 16 de Julho de 2010 | 20:54  
Maria Aparecida Lima - cidalima@yahoo.com.br
quando lemos trextos assim percebemos de onde vem a dificuldade dos alunos de escolas publicas em entrar numa faculadade federal.
.2
Sexta, 16 de Julho de 2010 | 21:36  
Eliane Menezes - menezes.el@hotmail.com
De fato, a escola não prepara seus alunos para entrar numa universidade federal. Muito bom esse artigo, pq ele fala sobre temas reais do Brasil. Também é bom divulgar textos como esses para provar a qualidade do ensino das faculdades nordestinas.
.3
Sexta, 16 de Julho de 2010 | 21:42  
Angelica de Santana Lima - angelica_boro@ibest.com
Fui aluna de escola pública e só consegui ingressar numa universidade federal com um curso preparatório particular. Na escola pública, nunca tive aulas de interpretação de texto e de redação. Quando ingressei num curo preparaório tive muitas dificulfdades, uma vez que nunca tinha estudados os assuntos. e tive que aprende - los em 1 ano. Artigo muito bom. Bom mesmo. Ele descreve a realidade da educação brasileira.
.4
Sexta, 16 de Julho de 2010 | 21:46  
Tereza Albuquerque - terezalbuquerque1980@terra.co
Sou professora de Língua Portuguesa e concordo plenamente com os argumentos do artigo. Apesar de o artigo apresentar as respostas de apenas 30 aluno, essa realidade acontece na maior parte das escolas públicas. Adorei o artigo publicado pelo jornal. Em geral, não é muito comun os jornais públicarem esse tipo de artigo.
.5
Sábado, 17 de Julho de 2010 | 15:32  
ana carla buarque - buarque_ana@bol.com.br
GOSTEI BASTANTE DOS ARTIGOS DO ALUNO DO CURSO DE LETRAS DA UFRPE, OS QUAIS FALAM SOBRE AS DIFICULDADES DE ALUNOS DE ESCOLAS PUBLICAS PARA INGRESSAREM NUMA UNIVERSIDADE PUBLICA. DE FATO, A ESCOLA NÃO NOS PREPARA COMO A SOCIEDADE NOS COBRA. POR ISSO, NAO TEMOS CONDIÇÕES DE COMPETIR COM ALUNOS DE ESCOLAS PARTICULARES. DAÍ, PERCEBEMOS O MOTIVO QUE FAZ COM QUE OS JOVENS DE CLASSE BAIXA TENHAM TANTA DIFICULADADE DE ENTRAR NUMA UNIVERSIDADE PÚBLICA. GOSTEI MUITO DO ARTIGO. MUITO RELEVANTE PARA ESCLARECIMENTOS E RETORNO PARA A SOCIEDFADE. OS JORNAIS DEVERIAM PUBLICAR MAIS ARTIGOS DESSE TIPO.
 
 Deixar um comentário
Jornal Tribuna Popular ::: Guanambi - BA :::
Fones: (77) 9 9962-1243 e 9 8827-5702
Editora Tribuna Popular LTDA - Avenida Presidente Castelo Branco, 96, Centro, Guanambi-Ba.